Dor crônica em crianças e adolescentes: tipos, causas e quando buscar ajuda
Quando falamos em dor crônica, a imagem que vem à cabeça costuma ser a de uma pessoa mais velha, com limitações físicas. Mas a dor crônica pode acontecer em qualquer faixa etária, inclusive na infância e na adolescência.

E não é raro. A dor crônica na pediatria é uma realidade que afeta crianças e adolescentes de formas que muitas vezes passam despercebidas ou são minimizadas. Entender os tipos mais comuns é o primeiro passo para buscar ajuda no momento certo.
Dor crônica na infância é mais comum do que parece
Estudos mostram que as queixas de dor crônica mais frequentes na pediatria incluem dor abdominal, dor de cabeça, dores musculares difusas, dores lombares e dores no tórax.
Esse quadro tende a ser mais comum em adolescentes do sexo feminino e frequentemente está associado a outros fatores como ansiedade, depressão, rotina escolar intensa, dificuldades com atividades físicas e sono irregular.
A dor da criança não é frescura. É um sinal de que algo precisa de atenção.
Enxaqueca e dores de cabeça na infância
Uma das queixas mais comuns nos serviços de medicina da dor pediátrica é a cefaleia, especialmente a enxaqueca, também chamada de migrânea.
Na infância e na adolescência, a enxaqueca se manifesta com:
Dor pulsátil ou latejante, geralmente de um lado da cabeça
Náusea ou vômitos durante a crise
Sensibilidade à luz e ao barulho
Piora com atividades físicas
Aura em alguns casos: alterações visuais como luzes piscantes, pontos cegos ou dificuldade de fala
Quando as crises ocorrem em 15 ou mais dias por mês durante 3 meses consecutivos, o quadro é classificado como enxaqueca crônica e exige acompanhamento médico especializado.

Dor abdominal crônica em crianças
A famosa "dor de barriga" frequente é outra queixa muito comum. Quando a criança apresenta 3 ou mais episódios de dor abdominal em 3 meses, com intensidade suficiente para interferir nas atividades do dia a dia, estamos diante de uma síndrome dolorosa que merece investigação.
Na maioria dos casos, a dor abdominal crônica na infância é de origem funcional, ou seja, não tem uma causa estrutural, inflamatória, infecciosa ou metabólica identificável nos exames. Isso não significa que é invenção.
Ela é multifatorial e está frequentemente associada a:
Estresse e ansiedade
Conflitos no ambiente escolar ou familiar
Depressão
Qualidade da alimentação
Qualidade do sono
Qualidade de vida em geral
Tratar só a dor sem entender o contexto da criança raramente funciona. É por isso que a abordagem precisa ser completa.
Qualidade de vida é parte do tratamento
Nesses dois exemplos fica claro que a qualidade de vida da criança é determinante para a melhora ou a resolução do quadro de dor. Sono, rotina, saúde emocional e ambiente familiar não são fatores secundários — são parte do tratamento.
A dor crônica na pediatria é um universo amplo, com muitas causas e formas de apresentação. O que os exemplos acima mostram é a ponta do iceberg. Cada caso é único e merece uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar.
Seu filho está com dor que não passa?
Se a criança ou adolescente apresenta queixas de dor frequentes que afetam a escola, o sono ou as atividades do dia a dia, não espere passar sozinho. Quanto antes a avaliação acontece, mais rápido o caminho de tratamento pode ser definido.
A Dra. Isabella Olivo é médica clínica geral, pós-graduanda em medicina da dor, com formação em dor pediátrica e atendimento online para pacientes em todo o Brasil. Ela avalia o caso com calma e atenção — porque às vezes não é "só mais uma dorzinha".
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